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Quais são os impactos da LGPD no mercado imobiliário?

Você sabe o que diz a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)? Aprenda como essa norma impacta o mercado imobiliário e como aplicá-la em seu negócio!

Cadeado sobre um teclado, representando a LGPD e o seu impacto sobre o mercado imobiliário, enquanto uma mulher acessa a Internet em seu computador.

A Lei Geral de Proteção de Dados — termo que dá origem à sigla LGPD — se refere à segurança das informações dos clientes obtidas durante as transações comerciais. Durante anos, não existia uma norma específica para proteger os dados dos titulares.

Por conta disso, consumidores ficavam expostos a golpes e, principalmente, importunação. O motivo é que os contatos poderiam ser repassados para outras bases sem a devida autorização. Com a implementação da LGPD, isso mudou — gerando diversas dúvidas, inclusive no mercado imobiliário

Afinal, quais são os impactos dessa lei para o setor? Neste post, você descobrirá a resposta para essa e outras perguntas relacionadas à LGPD e ao mercado de imóveis. 

Continue a leitura e confira!

O que é LGPD? 

Antes de entender quais são os impactos da LGPD no mercado imobiliário, é interessante saber exatamente o que ela significa. A Lei Geral de Proteção de Dados estabelece a maneira como empresas devem coletar, tratar, armazenar e compartilhar os dados de seus clientes.

Embora seja comum pensar que a norma se refere apenas às informações obtidas pela internet, vale destacar que ela também atua sobre os dados captados em canais off-line, ou seja, presencialmente ou por meio de formulários de papel.

O que é a LGPD e quais são seus objetivos.
A LGPD garante a segurança dos dados dos cidadãos. Fonte: Blueprint

A lei foi promulgada em 14 de agosto de 2018 e entrou em vigor em agosto de 2020, e as penalidades passaram a valer em agosto de 2021. Logo, quem não seguir a LGPD está sujeito às sanções administrativas aplicadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). 

Essas penalizações podem variar conforme a gravidade da conduta. Assim, há possibilidade de ser uma simples advertência até a aplicação de multas expressivas. No caso, o valor começa em 2% do faturamento e pode chegar a R$ 50 milhões por infração.

Como ela funciona?

Primeiramente, é importante conhecer como funcionava o mercado em relação aos dados dos clientes antes da LGPD. O padrão era obter um consentimento geral do titular para coletar e utilizar as suas informações pessoais, sempre de maneira superficial.

Desse modo, era difícil prever o futuro desses dados. Muitas vezes, eles eram comercializados para bases contendo numerosas informações sobre pessoas físicas. Nesse caso, não havia preocupação em como esses dados seriam utilizados e se o uso respeitaria os interesses do titular.

Assim, a situação era baseada em uma legislação dividida em diversas leis e regulamentos. Diante disso, o controle das autoridades se tornava mais difícil, além de gerar controvérsias judiciais sobre o tema. 

Diferenças entre a coleta e uso dos dados com e sem a LGPD.
Coleta e uso dos dados com e sem a LGPD. Fonte: Blueprint

Agora, com a LGPD, a coleta e o tratamento de informações devem ser feitos seguindo as normas estabelecidas. Lembrando que o tratamento dos dados se refere a qualquer atividade feita com eles, como armazenamento ou exclusão.

Portanto, as empresas devem analisar as informações que detêm para verificar se elas se enquadram nas bases legais para justificar a manutenção desses dados. Ainda, precisam rever os documentos pelos quais obtêm os dados dos clientes para adequá-los às regras da LGPD.

Somente autorizações genéricas, como eram feitas, não serão mais admitidas, especialmente em casos de compartilhamento de informações. Outro ponto importante diz respeito aos dados sensíveis — uma categoria especificada na lei. 

Eles podem ser tratados apenas quando houver o consentimento destacado, indicando as formas de uso de maneira específica para o titular.

Dados sensíveis

Se você ainda não conhece a categoria “dados sensíveis”, saiba que ela se refere às informações que devem ter um alto nível de proteção. O motivo para isso está no fato de que elas podem expor o titular a práticas discriminatórias ou preconceituosas.

Entre as informações incluídas nesse grupo, estão: opiniões políticas, vida ou orientação sexual, origem racial ou étnica, convicções religiosas e filosóficas etc.

Como a LGPD se aplica ao mercado imobiliário?

Agora que você já sabe o que é a Lei Geral de Proteção de Dados e como ela funciona, é importante compreender como ela se aplica ao mercado imobiliário. Nesse setor, os corretores de imóveis e imobiliárias devem lidar com dados de clientes rotineiramente. 

Contas bancárias, números de documentos, endereços e, até mesmo, comprovante de renda são informações necessárias para as transações, como compra, venda e locação de um imóvel. A partir da LGPD, independentemente das vias para obtenção dos dados, será necessário se adequar à lei.

O processo de compra, venda e locação de imóveis envolve diversos dados sensíveis.
O processo de compra, venda e locação de imóveis envolve diversos dados sensíveis. Fonte: Blueprint

Isso significa que todos os procedimentos em que seja necessário colher informações de terceiros devem ser feitos conforme a legislação, a fim de evitar irregularidades. Para tanto, é necessário adaptar todos os canais e as ferramentas utilizados na coleta e no tratamento de dados. 

Entre os exemplos que exigem esse cuidado estão sites, redes sociais e sistemas de gestão. Outro ponto importante a destacar é que a imobiliária ou o corretor autônomo é responsável pela segurança dos dados. Logo, é necessário garantir que as informações não sofrerão vazamentos.

Vale saber que isso também se aplica às campanhas da própria empresa. Ações relacionadas a produtos, e-mails, ligações e outras estratégias de marketing digital não podem ser feitas se valendo dos dados do titular sem a devida autorização.

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Quais são os impactos da LGPD no mercado imobiliário?

A LGPD é uma lei de grande relevância, portanto, ela causa diversos impactos para as empresas de diversos setores. A seguir, confira quais são as repercussões da norma no mercado imobiliário!

Alteração da rotina e maior responsabilidade

O primeiro impacto gerado pela LGPD no setor imobiliário é a mudança na rotina dos corretores de imóveis e demais funcionários. Nesse setor, é comum realizar a coleta e o tratamento de dados pessoais e dados sensíveis. 

Desse modo, é preciso criar um procedimento padrão para essa atividade, como o compliance — conjunto de ações aplicadas para cumprir as normas legais.

Além disso, a LGPD aumentou a responsabilidade do mercado imobiliário, especialmente, pelos dados sensíveis e financeiros. Afinal, são questões que costumam ser solicitadas e que requerem uma proteção ainda maior.

Maiores desafios na rotina

Com todas as exigências para coleta e tratamento de dados, o desafio é ainda maior na gestão das imobiliárias. Em um mercado tão competitivo, é imprescindível se adequar às mudanças da lei. Ao mesmo tempo, o procedimento não deve ser engessado com burocracias desnecessárias.

Dessa forma, podem surgir dificuldades para encontrar o equilíbrio entre o cumprimento da norma e a coleta de todas as autorizações, bem como a manutenção de processos dinâmicos. Afinal, manter um atendimento fluido e ágil é importante para não perder clientes.

Otimização das estratégias de marketing

Um dos pontos positivos da LGPD no mercado imobiliário é a otimização das estratégias de marketing. Anteriormente, a conversão em venda era mais demorada por conta dos contatos que não estavam interessados no negócio.

Com a lei, a prospecção é feita somente com leads que autorizaram o contato. Portanto, conclui-se que são pessoas interessadas em comprar, vender ou alugar um imóvel. Dessa maneira, a imobiliária investe melhor o seu tempo ao negociar com clientes mais alinhados ao processo.

Para isso, também pode melhorar a sua estratégia de marketing com ações mais personalizadas, como envio de e-mails de acordo com a necessidade e os interesses do cliente.

Aumento da credibilidade

Um dos maiores medos dos consumidores é, justamente, ter os seus dados vazados. Isso porque, a partir dessas informações, é possível ser vítima de golpes e fraudes. Ademais, quando o contato é enviado para uma base de vendas, por exemplo, podem surgir ligações e outros contatos não desejados.

Por conta da LGPD, os clientes ficam mais tranquilos em relação a isso, pois sabem que seus dados estarão protegidos. Essa transparência na coleta de informações é capaz de aumentar a confiança e, consequentemente, a reputação do negócio. Assim, também ajuda a atrair investidores.

6 dicas para adequar a imobiliária à LGPD

Ao saber sobre os impactos da LGPD no mercado imobiliário, vale a pena conferir como adequar a imobiliária à lei. Portanto, veja as principais orientações que podem ajudar nessa tarefa!

Mapeamento de dados já existentes

Muitas vezes, a empresa guarda papéis ou arquivos com dados que não serão mais utilizados, deixando-os armazenados sem que seja necessário. Com a LGPD, é essencial averiguá-los para saber quais dados devem ser mantidos pela empresa.

Dessa forma, há como filtrar as informações que são realmente importantes, identificando o que pode ser descartado ou o que deve ser solicitado ao titular. Nesse sentido, também vale saber que o cliente tem autonomia para pedir a exclusão dos dados.

Mudança na forma de coleta e tratamento dos dados

Com as alterações na forma de coletar e tratar os dados, a imobiliária não poderá utilizar as informações livremente: ela deverá observar o que foi acordado com o titular. 

Por exemplo, se o cliente preenche a ficha apenas para saber sobre um apartamento específico, ele não deve receber e-mails de campanhas com outros imóveis. Nesse caso, seria necessária uma autorização específica. 

Aliás, na hora da coleta de dados é importante que, além do consentimento do cliente, a finalidade dessa captura seja especificada e evidenciada do começo ao fim.

Comitê regulador

A criação de um comitê regulador na empresa pode ser necessária no mercado imobiliário. Esse conselho é feito a partir de um grupo de pessoas responsáveis por mediar a comunicação entre empresa, titular das informações e Governo.

Em uma imobiliária, essa ação se faz importante para garantir que todos os procedimentos que envolvam dados sejam feitos seguindo a legislação. Ademais, serve para orientar os colaboradores quanto à aplicação da LGPD.

Sistemas adequados

Você já deve ter percebido um aviso sobre a utilização de cookies ao entrar em um site. Esse é um dos procedimentos necessários para se adequar à lei e ter a permissão dos usuários para coletar os dados.

Mesmo que os clientes não tenham o costume de ler a política de privacidade, essa mensagem serve como alerta sobre a ocorrência de coleta de informações. Desse modo, ele é importante em qualquer página ou plataforma voltada para locação, compra e venda de imóveis. 

Segurança das informações

A área de TI ganha ainda mais importância ao ter que lidar com a segurança de dados dos clientes. Lembre-se de que esse é o setor responsável por assegurar que a área digital da empresa funcione corretamente.

Considerando que uma imobiliária lida com diversos dados relevantes dos clientes, como contas bancárias, assinaturas, contratos, holerites e endereços, medidas rígidas devem ser implantadas. Assim, é possível evitar exposições e minimizar as chances de ameaças de cibercriminosos.

Método na coleta de dados

Por fim, é necessário adequar a maneira como se coleta os dados, expondo ao cliente os motivos pelos quais precisa daquela informação. Também é importante explicar quem tem acesso aos dados, qual é a segurança aplicada, como serão armazenados e o que acontece em caso de vazamento.

Logo, é interessante que a imobiliária e os corretores de imóveis desenvolvam um método de coleta de dados que contemple a LGPD. Isso reduz os riscos de falhas no momento da coleta de dados e dos termos de consentimento dos titulares.

Ao mesmo tempo, a medida diminui as chances de que os processos sejam inadequados e exponham a empresa às penalidades previstas na lei.

Como negociar com o cliente e fazer as tratativas dentro da LGPD? 

Após entender mais sobre o que é a LGPD e os impactos que ela traz para o mercado imobiliário, é comum surgir a dúvida de como negociar com o cliente a partir dessa norma. Na prática, é comum que os corretores de imóveis fiquem inseguros em como abordar o assunto.

Se esse é o seu caso, confira as principais dicas que podem ajudar nas transações:

  • Mantenha a transparência durante a negociação em relação ao uso de dados. Portanto, explique para que cada informação é importante e qual será a finalidade dela;
  • Responsabilize-se pela segurança dos dados, mostrando as medidas de proteção adotadas pela imobiliária, como softwares especializados e sistemas de segurança. Isso ajuda o cliente a sentir confiança;
  • Caso queira usar o contato para estratégias de marketing, pergunte ao cliente explicitamente se pode usar os seus dados com esse fim. Para ajudar, você pode dar exemplos de como seriam essas abordagens;
  • Saiba que mesmo em vendas e negociações on-line, é necessário seguir todos esses procedimentos. Nesse ponto, os cuidados podem ser ainda mais importantes, já que a internet tende a gerar dúvidas nos clientes sobre a segurança de dados.

Ao longo deste post, você conferiu os impactos que a LGPD causa no mercado imobiliário. Dessa maneira, pôde perceber a importância de adequar a imobiliária à lei para garantir a segurança das informações do cliente e evitar as penalidades legais.

As mudanças tendem a ser cada vez mais frequentes em diferentes áreas do conhecimento. E, no mercado imobiliário, isso não é diferente. Então entenda como a sustentabilidade tem deixado o setor cada vez mais verde!

Foto do autor Vince
Por Vince

Índice
  • O que é LGPD?
  • Como ela funciona?
  • Como a LGPD se aplica ao mercado imobiliário?
  • Quais são os impactos da LGPD no mercado imobiliário?
  • 6 dicas para adequar a imobiliária à LGPD
  • Como negociar com o cliente e fazer as tratativas dentro da LGPD?
Foto do autor Vince
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