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Hotéis e retrofit, a solução para o déficit habitacional no País?

Utilizado para recuperação de edifícios antigos, os projetos de retrofit começaram a ser implementados de uma nova forma pelo mercado imobiliário.

Foto da autora Nathalia Zanardo

Os projetos de retrofit entraram em cena no mercado imobiliário com a requalificação de edifícios antigos, transformando construções em moradias, visando a venda ou aluguel. Mas com a pandemia, o setor encontrou uma nova oportunidade de explorar esse ramo, na qual hotéis passaram por reformas e viraram residências. 

Com uma crise hoteleira desencadeada pela COVID-19, além da queda na taxa de ocupação e desempenho negativo na margem de lucro do setor, cerca de 7.000 hotéis fecharam no Brasil, deixando diversas construções sem uso. Em paralelo a esse cenário, o déficit habitacional no País ainda é um dos maiores problemas sociais, em que faltam cerca de 5,8 milhões de moradias para população. 

Mas e se a união entre o abandono dos edifícios hoteleiros e a realização de projetos de retrofit pudessem ajudar no problema habitacional? A recuperação de uma arquitetura abandonada pode funcionar como um grande artifício quando pensamos na criação de moradia, e o Rio de Janeiro pode ser um dos exemplos nacionais no assunto.

O primeiro hotel cinco estrelas do País estava abandonado, mas o setor viu a oportunidade de recuperar o Hotel Glória criando 266 apartamentos residenciais e preservando a história ao manter a fachada neoclássica da edificação. Outros exemplos como o Hotel Flamengo Palace, transformado em um residencial com 42 unidades, ou o Hotel Jaguar, convertido em moradias estudantis, mostram a força do retrofit no mercado imobiliário na cidade e o potencial do movimento para o setor.

Comparação do Hotel Glória antes e depois do projeto de retrofit.
Utilizado para recuperar edificações, o retrofit está sendo muito utilizado para recuperar hotéis abandonados. Fonte: Blueprint

Com a sustentabilidade cada vez mais em alta no mercado imobiliário, o retrofit começou a ser usado por diversas empresas como um artifício de reduzir impactos ambientais, além de criar projetos em regiões desejadas que não têm mais terrenos. Esse movimento explora uma nova maneira de incorporação dentro do mercado imobiliário e, quando alinhado às diretrizes de revitalização das cidades como feito no projeto Requalifica São Paulo, os benefícios sociais podem ser inúmeros.

Foto da autora Nathalia Zanardo
Arquiteta que entende a profissão como um transformador da sociedade. Acompanhando sempre os novos lançamentos do mercado imobiliário.
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