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Ressignificando o percurso do pedestre

O percurso do pedestre vem sendo resgatado e inserido nos lançamentos imobiliários pela gentileza urbana, conceito amplo sobre o pertencimento ao espaço.

Calçada estreita em uma rua completamente murada gera insegurança para o pedestre que nela quer passar

Deslocar-se a pé é a prática mais antiga para se locomover, mas o caminhar foi esquecido como “meio de transporte” nas grandes cidades. Tudo começou no século XX, quando os automóveis assumiram um papel de destaque e empreendimentos em quarteirões murados surgiram como uma resposta à insegurança na cidade.

Calçada estreita em uma rua completamente murada gera insegurança para o pedestre que nela quer passar. Fonte: Raul Juste Lores/Veja SP

O traçado urbano modificou-se e confirmou, com suas grandes avenidas e extensos muros, o esquecimento da calçada, tornando o percurso do pedestre inseguro e hostil, e a cidade, menos caminhável. Em contrapartida, nos últimos anos, o pedestre foi notado pelo mercado imobiliário. Talvez tenham entendido Jane Jacobs, ou, talvez na cidade de São Paulo, tenha sido por conta da lei fachada ativa, de 2016.

Alguns projetos começaram a inserir a mobilidade do pedestre e a cidade como partes do edifício com ajuda da gentileza urbana: um conceito amplo que visa gerar pertencimento a um espaço por meio de intervenções. Na arquitetura, o termo é utilizado para o favorecimento do urbanismo e do paisagismo público, criando uma construção harmônica para todos.
O conceito vai desde uma fachada ativa – uso não residencial de uma parte do térreo do edifício, que gera movimento e favorece o deslocamento do pedestre – até a criação de uma calçada confortável, com afastamento da fachada e conexão visual interna com o edifício, como feito no Arky Cayowaá, da Trisul.

Onze22: novo empreendimento com conceitos de gentileza urbana, como recuo da fachada, conexão visual interna e paisagismo público. Fonte: Idea!Zarvos

A Idea!Zarvos conta com diversos projetos que favorecem a conexão entre edifícios e pedestres, como o Onze22, cuja torre se conecta a uma praça frontal e o percurso do pedestre fica mais acolhedor, uma tática gentil de inserir e dar segurança a quem passar. 

A gentileza urbana não só se tornou uma tendência no mercado imobiliário, reafirmando a ideia da necessidade do pertencimento à cidade. O resgate do interesse pela rua e pelo direito ao espaço do pedestre difundiu-se, ONGs como Sampa Pé e Cidade Ativa surgiram para conquistar espaços e ressignificar a calçada, na esperança de uma cidade mais caminhável, afinal, todos nós somos pedestres.

Foto da autora Nathalia Zanardo

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