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O Centro da cidade de São Paulo conta com uma infraestrutura completa, que inclui um forte comércio e o apoio do transporte público em relação à mobilidade urbana. Ainda assim, a realidade revela diversas famílias sem moradia ou em condições insalubres na região, enquanto o abandono de prédios vazios chama a atenção.

A partir do século XIX, a produção cafeeira estimulou a industrialização, a expansão e a verticalização do Centro de SP. Assim, morar na região era sinônimo de riqueza, como prova a sofisticação do edifício Martinelli, um dos primeiros arranha-céus do Brasil e o primeiro de São Paulo. Este status de morar no centro de uma cidade não é exclusivo da época, inclusive, é notório, até os dias de hoje, como é possível observar em Londres.

A desvalorização do Centro de SP passou a acontecer a partir do momento em que a elite paulistana passou a deixar as avenidas Ipiranga e São João, locomoveu-se para a região da avenida Paulista (e posteriormente dos Jardins) e estimulou os grandes bancos e os demais serviços a habitá-la também. Este movimento e as obras viárias influenciaram o mercado imobiliário igualmente e contribuíram com a degradação do Centro.

A partir de parcerias público-privadas de habitação, alguns programas são criados para efetivar a construção de moradias populares, com o objetivo de combater o déficit habitacional (para o desgosto dos intolerantes), o que também acaba contribuindo com a reurbanização do Centro. No litoral, por exemplo, recentemente a Prefeitura de Santos abriu um cadastramento para criação de moradias populares, destinadas a famílias com renda de até seis salários mínimos.

Gráfico feito pela Fundação João Pinheiro, do governo de Minas Gerais, mostra o avanço do déficit habitacional no Brasil e no Estado de São Paulo, de 2007 a 2015.
Levantamento feito pela Fundação João Pinheiro, do governo de Minas Gerais, mostra o avanço do déficit habitacional no Brasil e no Estado de São Paulo, de 2007 a 2015. Fonte: Aos Fatos

Atualmente, o déficit habitacional na capital paulista é estimado em 322,7 mil domicílios, de acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), enquanto apenas 165, do total de cerca de 1.746 imóveis ociosos que foram notificados, até hoje cumpriram as obrigações impostas pela lei. Assim, a manutenção dos prédios vazios e o acúmulo de dívidas do IPTU se transformam em abandono.

O déficit habitacional aliado à pandemia, sobretudo na região do Centro de São Paulo, reforça a necessidade de viabilizar moradias o quanto antes. Recentemente, a Prefeitura de São Paulo anunciou o projeto Requalifica Centro, com o objetivo de revitalizar prédios que foram abandonados ou que estão subutilizados para transformá-los em moradias populares. Até lá, é preciso pensar em mudanças efetivas para transformar a realidade.

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