Como o planejamento urbano pode incluir as mulheres

Foto da autora Giovana Costa

A dificuldade dos gestores públicos em avaliar as necessidades das mulheres no planejamento urbano é uma realidade há muito tempo. Após a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os espaços eram projetados exclusivamente por homens (em inglês), o que acabava atendendo somente às demandas de outros homens.

Enquanto isso, a participação das mulheres no mercado de trabalho transformou suas demandas de locomoção, que, desde então, precisavam ser feitas de maneira mais ágil e segura para conciliar atividades profissionais e domésticas. Porém, até os dias de hoje, a segurança não é uma realidade, como é possível constatar na precária iluminação pública e, sobretudo, nos desafios do transporte público

Logo, pensar o planejamento urbano por meio de uma nova perspectiva de gênero (em inglês) pode mudar tudo. É o caso de Viena, que conta com o maior projeto habitacional da Europa até hoje construído por e para mulheres. O Frauen-Werk-Stadt (Mulheres-Trabalho-Cidade) foi liderado pela arquiteta Franziska Ullmann, possui 357 moradias, e dentre as mudanças estão:

  • Calçadas mais largas para facilitar o manuseio de carrinhos de bebês;
  • 26 novos projetos de iluminação pública para garantir mais segurança durante à noite;
  • Novos espaços nos parques para além das quadras de basquete, que, anteriormente, eram dominadas pelos meninos;
  • Mais de um quilômetro de pavimentação alargada para facilitar a locomoção de pedestres;
  • Espaços públicos e ruas com nomes de mulheres, o que até então era uma exclusividade masculina.
Oito modelos de layouts do complexo Frauen-Werk-Stadt. Cada um possui suas especificidades para atender diferentes demandas de mulheres e mães.
Layouts flexíveis do complexo Frauen-Werk-Stadt. Fonte: Andrea Neuwirth | The Guardian

No Brasil, um dos primeiros exemplos de planejamento urbano atento às mulheres foi o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, implementado pela Prefeitura de João Pessoa, na Paraíba, que tem como objetivo a fiscalização e a execução de políticas voltadas aos direitos da mulher para fortalecer debates entre os diversos setores da sociedade. Além do Orçamento Participativo Mulher, criado para potencializar as políticas públicas.

Outra solução interessante é o Guia prático e interseccional para cidades mais inclusivas, criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o objetivo de compreender a ocupação do espaço público, trazer perspectivas mais plurais na concepção e gestão das cidades no Brasil. A prova de que um olhar mais atento pode transformar vidas através de mudanças simples. 

Foto da autora Giovana Costa
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