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Bambu e madeira, (talvez) o futuro da construção civil

A produção de cimento emite grandes quantidades de CO₂ . Em contrapartida, materiais naturais como bambu e madeira vêm ganhando espaço e absorvendo CO₂.

Casa Sharma Spring, um projeto apresentado pela série Home feito completamente de bambu. Fonte: Rio Helmi
Foto da autora Nathalia Zanardo

A produção de cimento para construção civil pode ser considerada um dos grandes vilões do meio ambiente, já que sua produção gera um grande custo ambiental. Responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO₂, 4 bilhões de toneladas desse material são produzidas todos os anos, liberando mais de 1,5 bilhão de toneladas de CO₂ na atmosfera.

Com a preocupação ambiental sendo cada vez mais forte, as indústrias de cimento   se comprometeram em reduzir a emissão de gases poluentes, mas outras soluções, como o uso de materiais mais sustentáveis e a produção de concreto sem cimento, surgiram para que a construção civil se torne cada vez mais ecológica. Mas e se a solução para atingir a sustentabilidade fosse buscar materiais naturais que diminuem a poluição e garantem construções ainda mais resistentes?

Tanto o bambu quanto a madeira são materiais renováveis, altamente resistentes, que absorvem CO₂ e garantem uma obra rápida e econômica, por isso vêm sendo cada vez mais utilizados na construção civil. O bambu é um material tão resistente quanto o aço e gasta 50 vezes menos de energia na produção de elementos estruturais, além disso é capaz de reduzir em mais de 30% o custo de uma obra. A madeira também é um elemento leve e versátil, que a cada metro quadrado construído, consegue reduzir até em um décimo as emissões de CO₂, quando comparada a sistemas mais tradicionais.

O maior edifício do mundo construído em madeira ficará pronto em 2042. Fonte: Revista Galileu

Esse tipo de construção ainda pode parecer um pouco distante da nossa realidade, mas alguns exemplos demonstram na prática a força de materiais renováveis em edificações, como no caso da empresa japonesa Sumitomo Forestry, que planeja construir o maior edifício em madeira do mundo, com 350 metros de altura e apenas 10% de sua estrutura feita de aço. Outro exemplo é a startup brasileira Noah, que começou seu primeiro projeto: um edifício de 11 andares em madeira, com o objetivo de reduzir o impacto da construção civil no meio ambiente e um plano futuro de construir cerca de dez prédios de madeira por ano no Brasil.

Assistindo ao episódio 3 da série Home ou ao TED Talks do arquiteto Michael Green, conseguimos mudar a perspectiva sobre esses materiais na construção civil. Pensando mais a fundo, percebemos que o emprego deles não só geraria um benefício ao meio ambiente, mas também à sociedade, uma solução que pode tornar o setor em mais verde e econômico.

Foto da autora Nathalia Zanardo
Arquiteta que entende a profissão como um transformador da sociedade. Acompanhando sempre os novos lançamentos do mercado imobiliário.
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